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Aqui trataremos de tudo aquilo que nos emociona.

A vida, em todas as suas formas e manifestações, nos leva a fortes emoções.

Espero poder traduzir, em versos e rimas, as expressões da vida com as quais eu tiver contato.



Luzia M.Cardoso
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sábado, 18 de abril de 2020

Bora falar do Corona?


Bora falar do Corona?


Tô ficando atordoado
Com tanta informação!
Isso não nego, não!
Às vezes, amedrontado,
Noutras, eu acho engraçado:
Uns me dizem, "Fique em casa!"
Outros, à troça dão asa?!
Sem trabalho, passo fome;
Porém, o vírus consome...
Frente à morte, grito: "vaza"!

Seu morrer, o bicho pega.
Sem cuidar mais da família,
Fica a morte de vigília.
E fogo, ela não nega,
Tampouco, ela arrega.
Vive à porta, à espreita.
Foice em punho, a sujeita!
Pronta pra vida ceifar
E tristeza semear,
Do vírus, se aproveita.

E, brincadeiras à parte,
O Corona "tá" bombando,
Na gente, multiplicando.
Isolada, mas com arte,
Chuto o vírus lá pra Marte:
Álcool ou água'e sabão,
Dou um trato em cada mão;
Podendo, fico em casa,
A ciência me embasa;
E não entro em multidão.

Se preciso ir à rua,
Vou com máscara no rosto.
Vírus não quero d'encosto.
A vida, minha e a tua,
Nesses dias, anda nua!
Num espirro, lá vai ela.
E não tem choro nem vela:
Com sorte, cai n'hospital,
Se não, terá funeral.
Basta uma piscadela.

Tonha dos Cafundó
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sexta-feira, 17 de abril de 2020

Cordel do Corona - na Ciranda com Lilian Maial

Na ciranda com Lílian Maial , seguindo o mote:

                 Cordel do Corona

                        Luzia M. Cardoso

Já estou desesperada
Com a santa ignorância
Abraçada à ganância.
Essa gente alucinada
Diz que o vírus não é nada,
No máximo, um resfriado.
E sai, deixando de lado
O que leva à prevenção:
Máscara, água, sabão,
E socialmente isolado.

O Covid-19,
Por aqui, já faz a festa
Sem ligar s'alguém o atesta,
Nem se'há teste que'o comprove,
Pois com nada se comove.
Aproveita a secreção,
Superfícies e a mão.
No organismo ele  procria,
Vai causando avaria,
A saúde à exaustão.

Mas a tal da quarentena,
No Brasil, é algo drástico.
Com discurso tão sarcástico,
Há quem sugira novena,
Jejum, promessa com pena...
Promoveram a cloroquina
À mais nova papa fina
Do ambiente hospitalar.
Pra'economia salvar,
No povo, sem vaselina!

Quarentena vertical,
Isolando só idoso?
Eta, indivíduo ardiloso,
Acomunado co'o mal.
Do diabo, tem aval,
Se não for ele o capeta
Que por aqui s'aboleta!
Do povo, obsessor,
Cruel, sem nenhum pudor,
Essa coisa abjeta!

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terça-feira, 14 de abril de 2020

Diário da Pandemia: a Curva do gráfico


Diário da Pandemia:

A Curva do Gráfico

Luzia M. Cardoso

Dia onze de abril,
Vírus se mostra feroz,
Já matou pra lá de mil,
Ao deboche d'outro algoz.

E a curva vai subindo,
Somando quem'está morrendo.
Empresários insistindo
Que cifrões estão perdendo.

Quem diz que é gripezinha,
Engana a  população.
A tristeza s' avizinha,
Vem sem pedir permissão.

Desce a chuva... Fios finos...
Lava a alma da cidade?
Por aqui, os desatinos
Causam mais perplexidade.

Carreata de carrões
Pede o fim da quarentena.
Ameaças, palavrões...
De quem morre não têm pena.

Querem ver Infectados
Setenta porcento' ou mais.
Pobres sendo desprezados?
Vivos, mortos, tanto faz?

Dizem que a economia
Pode vir a matar mais
Quem de trabalho vivia,
Parando, perde a paz.

Mas quem diz só não explica
É que sem se isolar
Tudo muito mais complica:
O vírus pode matar!

Quando entrar em ação,
 O organismo atacar,
Talvez, nem internação
N'hospital vai encontar.

Já se passaram dois dias,
Hoje, 14 de abril,
Infectados, avalias?
São mais de 23 mil!

Conforme estimativas,
São mais, quinze vezes mais!
E não há perspectivas
De ter gestão eficaz .

Mato Grosso em colapso,
Sem leito pra internação.
Em Minas, que esculacho!
Querem o vírus em ação?

Em São Paulo fazem festas
Os tais "cidadãos de bem".
Vão às ruas, tão infestas,
Dizendo que vírus não tem.

No Rio, dá agonia!
A quarentena é virtual?
O comércio, que ironia,
Aberto na vida real.

Feiras, barracas de rua,
Bazares, papelarias...
Livre, o vírus continua
Vivente nas cercanias.

O gráfico já alerta
Que o caos é iminente.
Mas vemos gente que flerta
Com um projeto indecente.

Sobe a linha, livre, reta,
Vai pegando impulsão.
Vírus mata até atleta,
Não freia com oração.

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Diário da Pandemia: Rede de Saúde


Diário da Pandemia
IV - Rede de Saúde

Luzia M. Cardoso

Se notícias muito assustam,
Há os qu'insistem não crer.
Se expõem e se infestam,
Mesmo que possam morrer.

Emergências abarrotadas,
Leitos sem oxigênio,
Prateleiras esvaziadas
Atravessaram o milênio.

Sucatearam o SUS:
Não há recursos humanos;
O salário não faz jus,
Sem aumento há quatro anos.

EPIs não dão a todos
Que trabalham n'hospital
Racionados são engodos,
Infectam, fazem mal.

Morrem médicos, enfermeiros...
Outros tantos adoecem.
No meio desses atoleiros,
Há os que não esmorecem.

Presidente sai às ruas,
Sem ligar pra prevenção:
Ao nariz, leva mãos suas,
Quem s'achega, aperta'a mão.

Em um grupo é de novo
Em algum papo flagrado,
Diz  querer que todo povo
Venha a ser contaminado

No Brasil, mortos, agora,
contam para mais de mil.
"Vírus está indo embora."
Falou o Homem, em abril.

Que projeto social
Anunciam tais ações?
Não parece racional
Não medir implicações!

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segunda-feira, 13 de abril de 2020

Diário da Pandemia : Março


Diário da Pandemia
III - Março

Luzia M. Cardoso


Passeatas e protestos
Abriram o mês de março.
No meio, muitos infestos,
Ao vírus, abrem espaço.

No Brasil, muitas dezenas,
Adentrando em hospitais...
Decretaram quarentena?
Esperaram um pouco mais.

Foram ouvir os patrões
Falarem  d'economia,
Desprezando os peões
Que se matam noite e dia,

Querem deles sacrifício
Também nessa Pandemia.
Aos que morrem, no ofício,
O desemprego remedia.

Estados fecham serviços,
Deixando os essenciais.
No Planalto, rebulicos,
Empresários querem mais.

Social isolamento
Mostrou ser eficaz
Mudar o comportamento
Previne ainda mais.

A expansão da pandemia
Passa a ser controlada:
Quarentena, assepsia,
Paciência n'empreitada.

Praças, ruas vazias,
Pessoas dentro de casa,
Mas quem se faz de messias
Pra fora bota suas asas.

Diz que falseiam os dados,
Que promovem histeria,
Insinua, em alto brado,
Que alguém demitiria.

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Diário da Pandemia: Fevereiro

Diário da Pandemia: Fevereiro

                        Luzia M. Cardoso


II - Fevereiro

Se ele mata os mais velhos,
Não é por ter preferência.
Jovens, adultos, fedelhos...
Vai minando a resistência.

Humano é dele pasto,
Meio de proliferar.
O seu campo será vasto
Se a gente s'amontoar.

Sem dar bola para o tal,
Brasileiro se amontoa:
Praia, farra, carnaval,
Busão, trem, muitos na proa.

Olha pros fatos no mundo
Como 'em banco de cinema
Não buscam saber a fundo,
Nem precaução pro problema.

No Brasil, pra piorar,
Os ricos, que de tão ricos,
Nem aqui querem morar.
Das regiões fazem pinicos.

Atacam a natureza,
Matando rios e mares; 
Florestas, sem sutileza,
Com fogo, leva aos ares.

Daqui, tiram a riqueza,
Explorando o trabalhador.
Vão gerando a incerteza,
A fome, tristeza e dor.

Os ricos não se importam
Se há gente em favelas,
Se em trens se amontoam,
Ou sem luz, acendem velas.

Para os ricos, se for pobre,
A morte é solução.
Crendo ter sangue nobre,
Da plebe, sem compaixão.

Pros ricos,  gente do povo
Só serve pra trabalhar
Se gratos sempre, e de novo
Migalhas abençoar.

Fazem crer que de direitos
O povo tem que abrir mão
E ficar bem satisfeito
De ter trabalho e patrão.

Insensíveis à fome,
Ao sofrimento que geram,
Ganância é sobrenome
Dos que'o entorno mineram.

Impõem ao povo o gueto,
Dos índios, tiram a mata.
Vivem armando coreto
Pra não perderem a mamata.

Quando'a pobreza explode
E se sentem ameaçados
Se'o recurso os acode,
Mesmo havendo exterminados,

Justificam logo o fato,
Dizendo ser solução
Amarga, d'imediato,
Sacrificar a nação.

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domingo, 12 de abril de 2020

Diário da Pandemia: Dezembro e Janeiro



           Diário da Pandemia
            
                    
Luzia M. Cardoso


I - Dezembro e Janeiro


O Covid-19,
Chamado Coronavírus,
Mesmo que não se comproove,
Se adapta,  é um vírus 

Em dezembro, 19,
Tomou-se conhecimento.
Mas um caso não comove.
Logo após, virou tormento.

Em Whuan, na nova China,
A doença se'alastrou,
Sem haver o que previna,
Milhares contagiou.

O mundo, embora ciente,
Acreditou ser local,
Se mantendo imprevidente,
Com porta aberta pro mal.

2020 inicia
Logo após o réveillon
E com ele a Pandemia
Apavorando a multidão.

Não importa em que canto
Que o vírus foi nascer,
Pelo mundo, no entanto,
São pessoas a morrer.

Dele, falam coisas tantas:
Que mata quem mais viveu;
Com doenças ele conta;
Os mais frágeis escolheu.

Quando o vírus vem ceifar,
Arrasta quem bem quiser.
Roda o mundo pelo ar,
Chega em homem e mulher.

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