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Aqui trataremos de tudo aquilo que nos emociona.

A vida, em todas as suas formas e manifestações, nos leva a fortes emoções.

Espero poder traduzir, em versos e rimas, as expressões da vida com as quais eu tiver contato.



Luzia M.Cardoso
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domingo, 28 de julho de 2024

Atenção! Porta Emperrada (cordel)



Atenção! Porta Enperrada



Em quebradas brasileiras, 
Marias a esperar
O bebê que leva ao ventre
E que cresce sem parar.
Outros filhos tão com fome,
Ela tem qu'alimentar.

Quando desce a ladeira,
Um busão pra se espremer.
Horas tragadas no rush,
No trajeto a vencer.
Se atrasa, o patrão
Nem tenta compreender.


Gravidez já avançada
Curvando sua coluna
Os pés, já muito inchados,
Piora a situação.
Seus nervos estraçalhados
Mais lh'apertam o coração.

Sente dores pelo corpo,
Latejar toda'a cabeça,
O suor... Um calafrio.
Está cortando'um dobrado!
Se procura um hospital,
Normalizam o agravado:

"Gravidez não é doença.
Sentir dor é natural.
Tome aqui um analgésico. 
Vá pra casa e coisa e tal.
Com bebê tá tudo certo.
Seu parto será normal."

Seguem dias nessa cina,
Sempre ouvindo a mesma coisa.
Já não s'aguenta de dor.
Pro doutor é cooisa àtoa.
E quando volta pra casa,
A família s'atordoa.

Co'a cabeça estourando,
Co'a visão muito nublada,
 Enjoada, vomitando,
Atravessa a madugada.
O acesso à assistência
Tem a porta emperrada.

Com a vida por um fiio,
Maria, com seu bebê,
Nada mais pode fazer.
A sorte já foi lançada.
Não adianta se benzer
Nessa estrutura travada.

Se'a gente não arrancar
A raiz de todo o mal,
Outras Marias, amanhã,
Sofrerão de forma igual,
Com risco da mesma sina
D'uma gravidez fatal.


Luzia M. Cardoso



#morte materna #mortalidadematerna  #direitosreprodutivos




 

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Diário da Pandemia - últimos dias de abril


Diário da Pandemia
Fechando abril

Luzia M. Cardoso


Vinte e nove de abril
Com mais mortos que a China
Quem preside o Brasil
Lembra ave de rapina.

Somam quinhentas por dia
As mortes neste país
E muito mais anuncia
Nosso SUS sem diretriz.

"E daí?", já escancara
O messias sem milagre.
Que, sem máscara na cara
Seus deboches o consagre.

Empresa comprou da China,
Dos tais kits, muitos milhões.
A venda será uma mina
Rendendo muitos trilhões.

Teste rápido em farmácia
Por valores imorais.
Duvidosa eficácia
Custando muitos reais.

Estimam doze milhões
De testes feitos ao mês.
Calcule quantos trilhões
Vão pro cofre do burguês.

Anticorpos ele informa
Se você os fabricou.
Não afirma, d'igual forma,
Se não te contagiou.

Com o caos já instalado
Mais reabrem o comércio,
Feira livre, logo ao lado,
Sob aplausos de néscio.

Último dia 'abril,
A morte acelerou
E a política tão hostil
O povo ignorou.

Prefeitos mais alinhados
Àquele tão  poderoso,
Deixam o povo de lado,
Seguindo em ato danoso.

Racham o confinamento:
Pra quem vende, a fartura
Com  tecido, aviamento...
Aos custos de muita amargura.

Quem preside nossa Câmara
Adia a discussão,
Apesar de estar tão clara
Qual seria a solução.

Pede calma aos brasileiros,

O impeachment segura.

Preferindo os bueiros

Transbordantes de agruras.


terça-feira, 28 de abril de 2020

Diário da Pandemia - ainda em abril


Diário da Pandemia
Ainda em abril
Luzia M. Cardoso


São vinte e seis de abril
Um domingo de outono
Com o povo mais febril
Diante do abandono.

Segunda, vinte e sete,
As mortes se multiplicam,
Sintomáticos sem teste...
Pelo alto, prevaricam.

Auxílio'Emergencial
Deixa o povo aflito.
Um descaso sem igual
Não é crime nem delito?

O dinheiro nunca sai
Nem pra quem já foi aceito.
Na conta, ele não cai,
Apesar de tudo feito.

Muitos seguem sem acesso,
São  cidadãos invisíveis,
Sem CPF, sem sucesso,
Sem providências cabíveis.

Empresários demitindo,
Não toleram não lucrar.
Continuam insistindo
Para tudo liberar.

Os que foram demitidos,
Do Seguro Desemprego
Permanecem tolhidos,
Ficando em desassossego.

Isso não é genocídio?
Que outro nome dará?
Sem salário ou subsídio,
Alguém subsistirá?

Vinte e oito de abril,
Os mortos notificados
Chegam quase a cinco mil.
Há casos não informados.

Síndromes respiratórias
Vão nos registros de mortes.
A corona nas histórias
É suspeita ė muito forte.

Governantes só assistem
A tragédia acontecer?
Economia discutem,
Sem o SUS abastecer.

No Rio, os federais
Com leitos de UTI
Nas manchetes dos jornais
Sem Covid assistir.

Há hospitais privados
E hospitais militares
Não universalizados
E morte rondando os lares.

Com oxigênio em falta
Sufocando nas cadeiras,
Desespero aos olhos salta
Frente à ordem nas fileiras.

Containers estão à porta
Da emergência pública
Para tanta gente morta
De nossa  rica República.

Pessoas alienadas,
Querendo se divertir,
Vão às ruas, agrupadas...
Mais doentes vão surgir!

Quarentena à lava mãos,
Um produto brasileiro.
Transitando, cidadãos
São do vírus hospedeiro.


sábado, 18 de abril de 2020

Máscara na prevenção da Covid-19

Máscara na prevenção da Covid-19

Bora ver estranho fato: 
Qual é a dessa tal máscara
Que pedem pra por na cara?
Parece tão caricato!
 Tenho decara  gaiato?
Se não sinto o tal vírus,
Meus olhos não jururus
E se não é carnaval,
Parece tão surreal,
Andar como jaburus?

Acontece que a doença
Que esse vírus provoca
Não chega com muriçoca,
Não liga pra tua crença.
Te contagia sem licença,
Pela mão ou pelo ar.
Sai no ato de falar,
De espirrar ou de tossir.
  Mesmo sem você curtir,
Entra em ti ao inspirar.

Em tempos de pandemia,
Muita pessoa sarada,
Inteira e camarada,
Sem saber, te contagia.
Use, por sabedoria.
Máscara é prevenção,
Para ti e teu irmão.
Vírus não passa pra ele,
Nem carrega o que vem dele.
Mas há de ter precaução:

Lave as mãos antes do uso;
Pelas alças manuseie.
Mas calma, não se chateie!
Pode parecer confuso
Esse pano tão intruso.
Uma alça em cada orelha!
E não cubra a sobrancelha,
Só a boca e o nariz.
A ciência assim o diz,
Não saiu da minha telha.

Máscara bem colocada,
Não toque mais em sua face,
Mesmo que alguém s'engrace.
Não toque nela por nada!
Estará contaminada
Pelo ar que ali chegar.
Lembre que quando falar,
Ao espirrar ou tossir,
Se'algum vírus expelir,
Ela é que vai segurar.

Agora, muita atenção
Ao tempo de validade
Pra ter efetividade.
Duas horas, meu irmão!
E não é opinião.
O tempo qu'ela suporta
Pra saúde muito  importa.
Tenha outras pra trocar,
E antes, se'ela molhar.
Assim, a todos conforta.

Para a máscara tirar,
O cuidado é  redobrado:
Pelas alças, com cuidado,
Pra não se contaminar.
No lixo, pra descartar.
Se for reutilizável,
De pano, o mais provável,
Guarde-a em saco plástico.
Não precisa ser dramático,
Nem é tão é desagradável.

Lave as mãos logo em seguida.
Pode usar o álcool em gel.
Tire e limpe cada anel
Pra limpeza garantida,
Preservando tua vida.
Para reutilizar,
Basta a máscara lavar.
Sabe a água sanitária?
Pro vírus, morte sumária!
Secando, é só passar. 😉

Tonha dos Cafundó

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Bora falar do Corona?


Bora falar do Corona?


Tô ficando atordoado
Com tanta informação!
Isso não nego, não!
Às vezes, amedrontado,
Noutras, eu acho engraçado:
Uns me dizem, "Fique em casa!"
Outros, à troça dão asa?!
Sem trabalho, passo fome;
Porém, o vírus consome...
Frente à morte, grito: "vaza"!

Seu morrer, o bicho pega.
Sem cuidar mais da família,
Fica a morte de vigília.
E fogo, ela não nega,
Tampouco, ela arrega.
Vive à porta, à espreita.
Foice em punho, a sujeita!
Pronta pra vida ceifar
E tristeza semear,
Do vírus, se aproveita.

E, brincadeiras à parte,
O Corona "tá" bombando,
Na gente, multiplicando.
Isolada, mas com arte,
Chuto o vírus lá pra Marte:
Álcool ou água'e sabão,
Dou um trato em cada mão;
Podendo, fico em casa,
A ciência me embasa;
E não entro em multidão.

Se preciso ir à rua,
Vou com máscara no rosto.
Vírus não quero d'encosto.
A vida, minha e a tua,
Nesses dias, anda nua!
Num espirro, lá vai ela.
E não tem choro nem vela:
Com sorte, cai n'hospital,
Se não, terá funeral.
Basta uma piscadela.

Tonha dos Cafundó
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sábado, 25 de maio de 2013

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Renovando a Onda


Renovando a Onda


25 de janeiro
Minha TV vou desligar.
Audiência é dinheiro.
BBB fora do ar!

Queremos ver na TV
Programas de qualidade
Com informação e arte.
Chega de futilidade.

Radiodifusão é bem.
Bem público sim senhor!
Se concessão alguém tem,
Deve a isso dar valor.

Valor é mais que cifrão,
Mais do que ele comanda
Se mudar a direção
O futuro já desanda

A TV deve cuidar
Da ética que propaga
Pois tudo o que vai ao ar
Edifica ou estraga

Em jovens e em crianças,
Gente de frágil atenção,
As mensagens viram lanças
Marcando com precisão.

Se canal é concessão
Vamos ter prioridades
com as ondas desse chão
Mudar a realidade!

25 de janeiro
Minha TV vou desligar.
Audiência é dinheiro.
BBB fora do ar!

E às 21 horas
Eu vou ler, vou namorar...
Paciência foi embora!
BBB fora do ar!

Trovas e a minha adesão à campanha 

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