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Aqui trataremos de tudo aquilo que nos emociona.

A vida, em todas as suas formas e manifestações, nos leva a fortes emoções.

Espero poder traduzir, em versos e rimas, as expressões da vida com as quais eu tiver contato.



Luzia M.Cardoso
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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Quadrinhas da ambição

 



Quadrinhas da ambição



George Orwell escreveu

Cada letra dessa história

Um certo homem resolveu

Acreditar que era glória


Nosso mundo é uma fazenda

Produtora de sicários

Todos querem virar lenda

Com seus atos mercenários


São treinados pra abater

Com isso já se habituam

Tudo é presa é dá pra ver

No que eles pactuam


Um só pensa em dominar

E o faz com as próprias unhas

Pela terra, mar e ar

Vai calando testemunhas


Noutra ponta do oceano

Outro diz ser grande irmão

Qual dos dois é o mais insano

Quando ambos pesam a mão?


Sempre existe o Garganta

Onde existe Grande Irmão

Tudo vira Guerra Santa:

Mais poder - pura ambição


Luzia M. Cardoso

RJ, 16 abr. 2026


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Milhas e milhas

 



Milhas e milhas





Quando entramos na estrada

Julgamos ser infinita

Passos sempre apressados

Sem medir o que suscita


Almejamos galardões

Ou pra ontem ou pra agora

Arrastados em carnavais

Na folia, mundo afora


Caminhadas, muitas léguas

Muda o peso do valor

Tudo entulha, vira tralha

Nem mais brilho evita a dor


Quando olharmos para trás

Se já foi, não volta mais



Rio de Janeiro, 15 abril 2026










segunda-feira, 13 de abril de 2026

Adivinha? nº 2


Adivinha?


Cultuando a própria imagem
Forja espelho e devoção
Entre tantas camuflagens
Dos outros, há omissão

Brilho frio em seus olhos
Escancara o cinismo
Muitos blefes, atos falhos
Conformando o mecanismo

Nas tramas, vários processos
Desafiam a razão
Com desejos inconfessos
Que  embrulham a digestão

Sobre escombros se sustenta
Pisando corpos no chão
Não esconde que intenta
Noutras terras por a mão



Luzia M. Cardoso
Rio de Janeiro, 13 abrl 2026

Adivinha?

 






Adivinha?


Faz-se todo poderoso
Terras raras se arvora
Desprezível e assombroso
Mais parece o de outrora

Quer ser Deus, pobre diabo
Vai causando sofrimento
Se sentindo um nababo
Com o seu faturamento

Lança mísseis, fecha mares
Sequestra e bombardeia
Confabula com seus pares
Tarda ir para cadeia

Ser de hábitos manjados
Uma velha cacatua
Entre tons alaranjados
Seu topete se insinua



Luzia M. Cardoso

Rio de Janeiro, 13 abril de 2026

domingo, 12 de abril de 2026

Nas pedras portuguesas




Nas pedras portuguesas




Eram pedrinhas portuguesas
coloridas
espalhadas lá na vila
pareciam se alegrar 
com toda a criançada
pique-pega
pula corda
bate bola
boneca
peteca no ar
bicicleta 
bambolê 
nos primeiros raios de sol
ressoavam o toc-toc 
da Maria
ecoando ao luar
toc-toc para ir
toc-toc pra voltar
recebia águas
entristecidas
em desespero
cachoeiras 
agitadas
saltavam das retinas
das mulheres lá da vila
fios d’água contornavam
os seus rostos 
entre portas e janelas

Luzia M. Cardoso
RJ, 12 abr. 2026

sábado, 11 de abril de 2026

Vazio

 




Vazio






Lembro daquele vazio

mirado por anos a fio

meus olhos vagavam

num ponto qualquer
em meio a lugar nenhum
dei-me conta certo dia

numa vigília trabalhista

numa madrugada fria

com camaradas resilientes

um anunciou 

o vazio que me encarava

era fim dos anos 80

início dos 90

reencontrei-o agora em 26

quinta-feira nove de abril

num retrato em preto e branco

de Ana Maria Maiolino

no salão

do Paço Imperial

arrebentava

aquele fio



Luzia M. Cardoso

Rio de Janeiro, 11 abril de 2026



sábado, 4 de abril de 2026

Cristal

 



Cristal




Múltipla

embaralhada à minha mente

Minto

pelos cacos no jardim


Gozo

tudo roda à minha volta

Torta

arrastando até o fim


Fico

Esparramada no espaço

Faço

desse meio o meu centro


Eu

viro sol no meu avesso 

Vazo

toda flor perto de mim


Pesa

a estufa sob a pena

Engano

fogos de festim


Presa

no reflexo do espelho

Mofo

sou o lodo que me afunda


Fujo

do entulho que me cerca

Falo

essa rota vaza em mim



Luzia M. Cardoso

RJ, 04 abr. 2026



Inspirado em Aldonza Lorenzo, personagem de Miguel de Cervantes, corpo real da fantasia de Dom Quichote.


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