Obra Licenciada por Creative Commos

Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição.

Aqui trataremos de tudo aquilo que nos emociona.

A vida, em todas as suas formas e manifestações, nos leva a fortes emoções.

Espero poder traduzir, em versos e rimas, as expressões da vida com as quais eu tiver contato.



Luzia M.Cardoso
http://twitter.com/#!/luzia48

Direitos autorais registrados na FBN

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Carta ao Presidente

CARTA AO PRESIDENTE


Meu Ilustre presidente,
não entendo o que acontece,
parece estar tão ausente,
ou não ter nada na mente.
Não vê que o povo padece?

O trabalho por aqui,
quando tem, é temporário.
Tantos tentam resistir
com alguns bicos por aí,
ou em algo temerário.

Crescem as periferias;
junto o consumo de drogas;
crianças sem alegrias;
jovens entrando em frias;
enquanto o povo te roga.

Veja, que situação:
os velhos abandonados;
muita gente na prisão;
tem a prostituição;
e os direitos violados.

Camponeses estão sem terra;
há famílias pelo chão...
Mas empresário não erra
o capital que encerra
o poder da exploração.


E o tal desenvolvimento?
Tanta coisa prometida...
Hoje sobrou só lamento,
muita tristeza e tormento
de nossa gente sofrida.

Se tudo isso não mudar,
outros irão sucumbir,
pras gangues podem entrar.
E se o crime comandar,
muros não vão resistir.

Luzia M. Cardoso
RJ, agosto de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

Pele de Asno em versos

-->

Parecia uma família feliz:

com mãe zelosa, filha carinhosa,

Provedor, o pai dava a diretriz,

numa casa linda e mavilhosa.


Até que um dia, a noite enfurecida

pegou em suas mãos a genitora,

levando-a em viagem só de ida,

deixando a vida ameaçadora.


“A flor em botão no lugar da rosa?”

Sim. Era como o cravo a desejava,

nos segredos de um castelo encantado.


Presentes, promessas, melada prosa

assustavam a flor que mais chorava,

Vivia a temer o cravo inflamado.


E depois de penar um bom bocado,
Flor pois-se a pensar em uma saída.
Fugiu, em pele de asno escondida.


Viver nas ruas parece ser sina.
Fugir de sapos, a vida ensina.


Luzia M. Cardoso

Versão do conto de Charles Perrault. Pele de Asno. In, Mamãe Gansa.França, 1697.

sábado, 28 de agosto de 2010

Vazante



Sinto-me no estio, sou vazante...
Errante, eu chamo por você, amor.
Eu quero, espero como sempre... Amante.
No instante solto dessa noite em flor.

 
Um vento leste vem, assim, gemido.
E eu tomo o vinho tinto que me deu.
Delírios... Para! Sou um sol contido.
No leito, deito e sinto o impulso meu.
Eu queimo qual fogueira ardendo ao léu.
Meu sangue ferve, nessa cama fria.
Lençol de seda desce como um véu.
Assim, eu durmo, espero um novo dia.

Nas dobras desse laço vou pensando...
Eu sou ressaca só de quando em quando.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Fome de Sim




Foto de Luzia M. Cardoso: Grafite do muro da estação ferroviária. Praça das Nações, Bonsucesso, RJ


FOME DE SIM

Sou a criança que encontras pelas ruas.
Nas noites frias, eu não tenho quem me abrace.
Fome de pão, aplacam pedras. Todas cruas.
Pela manhã, tu nem me vês, sou ser sem face.

Quando te encontro, logo viras tua cara.
Se chego perto, tu escondes teus pertences.
Minha roupa rota a pobreza não mascara,
e a dor que cresce nas favelas tu não sentes.

Culpas meus pais, mas estou órfão, sem família.
Lá no abrigo, também tive que brigar.
Não acreditas, mas preciso de um lar.

Cuido de mim, de meus irmãos, é sempre assim.
Não vou a escola, não sei ler, não ouço sim.
Tenho dez anos e passo os dias em vigília.

Luzia M. Cardoso

 

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Educação Ação

Crianças educadas
não sofrem agressão
Xingamentos, pancadas
não formam um cidadão.

A boa educação
não rima com maus-tratos.
Exemplor e atenção
ensinam os bons atos.

Por Luzia



domingo, 22 de agosto de 2010

Drama Humano



-->
Drama Humano


Tantos nomes, Madalena
cruel saga nesse mundo.
Sexo e vícios num segundo.
Uma façanha de deusa!
Tendo a cama como cena,
muitas taras satisfez,
numa louca insensatez.
Homens velhos experientes,
outros novos, inocentes,
devoravam sua nudez.


Fora entregue ainda criança
às corjas de vagabundos.
Com beijos nauseabundos
mataram a inocência
de uma menina de trança,
que cresceu, assim, fingindo,
e a tudo permitindo.
E virou mercadoria,
trocada por ninharia.
E foi só, se destruindo.


Muitos falos em seu ventre
jorravam sêmen atroz,
ácido gozo feroz.
Fertilizando seus óvulos.
Ela engravidava sempre...
Foi forçada a muito aborto,
sem higiene ou conforto,
em locais improvisados,
sujos e amaldiçoados.
Lá deixava o filho morto.


E assim envelheceu
A Maria Madalena.
Aquela dama profana,
virou apenas um trapo.
Já largada, padeceu.
Velha, sem eira nem beira,
sem dinheiro na carteira,
apenas doenças herdou.
Nem a fama conquistou.
Foi-se em nuvens de carreira.


Sem filhos e sem família
só padeceu, Madalena.
Perdeu o viço, a morena.
Não despertava desejos
seu sorriso sem mobília.
E seguiu, sempre pedindo
pelas ruas foi caindo...
Foi hoje, a última vez...
Foi pro céu? Não sei... Talvez.
Sei qu'outras estão surgindo.

Por Luzia

Arquivo do blog