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Aqui trataremos de tudo aquilo que nos emociona.

A vida, em todas as suas formas e manifestações, nos leva a fortes emoções.

Espero poder traduzir, em versos e rimas, as expressões da vida com as quais eu tiver contato.



Luzia M.Cardoso
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sexta-feira, 4 de junho de 2010

PERDEU A GRAÇA

 

Você que me deseja só desgraça,
com versos destila tanta descrença.
Você que exibe marcas onde passa.
“Amigo”, no que faz, você não pensa.

Você que tanto quis me ter por perto
para melhor meus atos controlar.
Com seus emails buscou estar certo
da forma que pudesse me afetar.

Você que tanto mal está plantando.
Sementes de desprezo espalhando...
Te digo: o que faz perdeu a graça!

Terá também um dia que colher
esses frutos serão para você.
Acorda! você já perdeu a graça! 

 

Por Luzia M. Cardoso

Em um riquíssimo diálogo poético com o Mestre Odir Milanez da Cunha, "Você Aí!" e Engraçando Graças", desta como resposta surgiu a minha "Graças Engraçadas".


Ter saúde é um direitu (Política de Saúde no Brasil)


Ter saúdi é um direitu

Cumpadi, eu bem qui sei
apesar de tá na lei
qui Saúdi é direitu,
é na fila que fiquemu,
seja a dor de quarquer jeitu,
inté morrer nois pudemu.

Pru SUS todos nois usá,
a coisa tem qui mudá.
Cumecemu co'a eleição,
não votandu em safadu.
Observá co'atenção
quem é que está du teu ladu.


I num basta só votá,
tem também qu'acumpanhá
tudo qu'eles tão fazendu.
Somus nois qui paga a conta
di todu bem qui é cumpradu
nessa tar di coisa pública.

Tem Conseio di Direitu,
assembléia i parlamentu.
É lá qui tudu aprovam.
Mas u povo tá durmindu,
si queixandu du distinu,
i u dinheiru tá sumindu.

Ver a verba da Saúdi
na cueca é qui num podi.
Prá essa coisa funcioná
todus nois temu qui ter
muitu mais qui hospitá,
pru corpu num perecer.

Só issu num basta não,
tem a alimentação,
além da educação.
Habitação é precisu
i terra pra plantação
cum guvernu cum juízo.


Por Luzia M. Cardoso 

Diálogo poético com a talentosa poetisa Rosa Régis, "Consulta ao Psiquiátra", Mestre Fernando Cunha Lima, "Consulta ou Com Surto"


João era o meu homi (A saga de uma família de migrantes)





João era o meu homi

Cumpadi qui sina triste
a morte di tua muié.
Botemu dedu em riste
é nu nariz dus coroné

Eu também num tive sorti,
pois eu perdi mó cumpanheru.
Nóis viemu lá du norti,
para u Rio di Janeru.

Veiu eu, ele i dez fio,
nesse sonhu di mudança,
i cheguemu aqui nu Rio
para vivê di isperança.

Nós passemu muita fomi,
vimu muita da tristeza.
Nu Brasil isso tem nomi,
que é a tar da safadeza.

Toda a riqueza qui nóis vê
somu nóis qui produzimu,
mas vem dotô qui sabi lê
diz: - É meu! Acreditemu.

I foi nessa dura lida
qui u meu homi sucumbiu.
Trabalhô duru na vida,
du andaime ele caiu.

Labutava di pedreru,
dia di sór i di chuva.
Saia sempri ligeru,
i num durmia na curva.

Foi qu'um dia sem cumida,
sua vista foi turvada,
a mente infraquecida,
i morreu numa tombada.

I agora, mó cumpadi,
vivo só co mó dez fio.
Nenhum patrão nus acodi,
temu fomi e muitu frio.


Por Luzia M. Cardoso


A MISSÃO DO POETA


A MISSÃO DO POETA

A tristeza dilacera
o coração do poeta.
Essa lança que espeta
sua alma tão sincera.
E sangrando de saudade,
perdeu também a vontade
de contemplar a aurora,
deixando-a só, lá fora.
A tristeza de ir embora,
é o que sente nessa hora.

Vejo que essa saudade,
entristece a poesia.
A flor que ele não via,
e que é uma raridade,
não se abre como rosa,
já que é mais preciosa.
Tens, Poeta, a missão
de trazer para os teus versos
outras cores que estão
em teus sonhos submersos.

Traga, então, na pena crua,
imagens da natureza.
Novas cores, com certeza,
iluminarão a lua,
te trazendo a alegria
E aquela estrela arredia,
deixe lá no coração.
Lembre dela com carinho,
pois outras novas virão,
noutros versos, de mansinho.



Por Luzia M. Cardoso

O SILÊNCIO DO VIOLINO


O Silêncio do violino


Ao som extendido do violino
ouviu-se o tom do último acorde,
lamento, em si bemol sustenido,
que nos braços do músico explode.

A partitura da triste canção,
sozinha em um palco apagado,
virou a espaleira da paixão.
Um som que parecia eternizado.

Sofrendo, a batuta se encosta,
ressentida, em lágrimas e dor,
se refaz do vigor daquela nota.

E jaz uma paixão em agonia,
mas que há muito tempo já sofria,
levando as notas rosas do amor.



Por Luzia M. Cardoso

SABIÁ



Sabiá


Ouvia ao longe, sabiá errante,
com canto doce nas madrugadas
Tinha a viola e muitas amantes
varando a noite, com suas baladas.

Viveu cada dia, intensamente,
atraindo, sempre, novas paixões.
Com a sua alegria displicente,
arrebatava muitos corações.

Sabiá cantava, alvoroçado,
e muitas mulheres o desejavam,
querendo o seu calor apaixonado.

Hoje, sabiá está tão carente,
largou a melodia, de repente.
e calou as cordas que encantavam.

Luzia M. Cardoso

Graças engraçadas

Graças engraçadas

Aqui venho dar graças a você
que me contagiou com teu humor
que engraçando graça me fez ver
as graças que nós temos ao redor.

É de graça olhar a lua no céu,
também o sorriso da criança.
Engraçado é jogarmos ao léu
as nuvens que cobrem a esperança.

Tem muitas graças nesse sol que brilha
iluminando o desenho do traço
da aventura de correr nessa trilha.

Percebes que a graça não perdi,
pois sei que tudo em minha vida eu faço,
como os versos que te deixei aqui.

Por Luzia M. Cardoso

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