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Aqui trataremos de tudo aquilo que nos emociona.

A vida, em todas as suas formas e manifestações, nos leva a fortes emoções.

Espero poder traduzir, em versos e rimas, as expressões da vida com as quais eu tiver contato.



Luzia M.Cardoso
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terça-feira, 13 de julho de 2021

Quando há uma urna nos ponteiros


 

Quando há uma urna nos ponteiros

 


E um dia o sol não nasce como antes.

Vem de longe um sopro frio penetrante,

Quando, súbito, a voz eleva um xingamento

Que se lança, incandescente, ao corpo e mente.

 

E, tal qual, o sol nascente e poente

Que não cansa de ser roda e rodar,

Noutro dia, a mão se lança ao rosto à frente,

E num baque deixa tudo arroxear.

 

Seguem dias, entre tapas e xingamentos,

Se alternam fortes socos e pontapés.

E o sol que não brilhava, já se esconde,

E se apaga, se decifra os rapapés.

 

Os degraus de cada escada sentem o dolo

E o chão de cada cômodo, vermelho sal.

Cada quina das mobílias são punhais

Invasivas, lacerando tal e qual.

 

Não há sopro que sustente esse baque,

Não há forças que ajudem a levantar.

E, assim, quando espremem as paredes,

O relógio dia ajuda a urna a se fechar.

 

Luzia Magalhães Cardoso


#violênciacontraamulher #bastadeviolência


quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Papo Reto (Triolé)

 


Papo Reto

(Triolé)

 

 Bora, bora, companheiro!

O dia urge pra gente.

Ele passa bem ligeiro!

Bora, bora, companheiro

Por aqui, és passageiro.

Passamos, literalmente.

Bora, bora, companheiro!

O dia urge pra gente.


Luzia M. Cardoso

 


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Caça Fantasmas

 



Caça Fantasmas 

 

Tenho amigos queridos

Que chegaram para mim

Sem cobranças, alaridos:

Lili, Mingau e Pudin.

 

Quando correm pela casa,

Revirando canto a canto,

Meu coração extravasa

E se enche de encanto.

 

Se a vida está na roda,

Sombras jogam para fora.

Limpam tudo à sua moda.

 

E, comigo em qualquer hora,

O fantasma qu’incomoda,

Na patada, mandam embora.

 

 Luzia M. Cardoso

 


segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

No meu Pé (Triolé)

 





No Meu Pé 

(Triolé)

 

Gosta de pegar o pé

Pela ponta do dedinho

Mais parece um jacaré.

Gosta de pegar o pé!

Pega e gruda qual chulé.

Que danado cachorrinho!

Gosta de pegar o pé

Pela ponta do dedinho!


Luzia M. Cardoso

 


domingo, 6 de dezembro de 2020

Cão e Gato (triolé)

 





Cão e Gato 

(triolé)


Ele vive atrás do gato.

Corre e salta sem parar.

Para o gato, é um chato!

Ele vive atrás do gato.

Quando agarra, não tem tato,

A orelha a mordiscar!

Ele vive atrás do gato.

Corre e salta sem parar.


Luzia M. Cardoso


domingo, 4 de outubro de 2020

Um Triolé para Pudin



Um Triolé para Pudin 


Ele é creme e caramelo.
Caramelo multicor,
Dégradé de amarelo .
Tem o pelo caramelo.
Olhos com raios d'amor
 Que vão aonde eu for.
Ele é creme e caramelo.
Caramelo multicor.

Luzia M. Cardoso





 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Diário da Pandemia: primeira semana de agosto

Diário da Pandemia : primeira semana de agosto

Luzia M. Cardoso


Minimizam Pandemia Pra tratar do réveillon, Do Carnaval, fantasia, Do turismo no Leblon. Num mundo de transações Cada vez mais virtuais, O Brasil gasta milhões Nos tais duzentos reais. Pintam o lobo guará Onde'o povo não vai ver: Da floresta sumirá; Na nota, poucos vão ter. As sessões no parlamento, Quando há, são virtuais, Mas já dão consentimento Às aulas presenciais. E a tal da Cloroquina Produzida por aqui, Aos custos de uma mina Com seus quilos de rubi? Não s'importam se inócuo No combate à covid. Se aos bolsos for profícuo, A ciência não decide. O garoto propaganda, Lá do planalto central, Por meio de larga banda, A promove pra geral. Cloroquina e Anitta, Dentro do Santo Graal, Viram a fórmula bendita Para o combate do mal. As populações indígenas Muito mais desprotegidas. Omissões, tão obscenas, Às ações dos genocidas. Morreu cacique Xavana, Das Aldeias de Xingu. Morre cacique Aritana, Pranto alaga ocaruçu.* Aritana era um estadista Para os povos de Xingu. Cá, há ultradireitista Pior que surucucu. Tem ministro a conversar Com garimpo ilegal Qu'entra para desmatar E aos índios fazer mal? Mais de mil mortos por dia, Nos mandam tocar a vida... Vexatória ironia E ainda alguém duvida. Altas taxas há dois meses Prevalecem no Brasil. Já no tom são descorteses Quando apontam pros cem mil Cem mil mortos por Covid Não afeta o coração De quem diz ser quem decide Os destinos da Nação. Havia outras opções Pr'um presente diferente Mas, movidos por paixões, Ergueram o pior ente. Mas a Terra é redonda, Segue firme a rodar. Hoje, na crista da onda. Amanhã, vai afundar. Logo, vai submergir Num buraco solitário. Não faz nada pra luzir, Ser das trevas, caudatário.

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* Ocaruçu, em Tupi, significa praça grande, ocara, centro da taba, terreiro central da aldeia
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https://www.terra.com.br/noticias/coronavirus/producao-de-cloroquina-coloca-bolsonaro-na-mira-da-justica,eb92420735306d97f69f1dacfd0


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