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Aqui trataremos de tudo aquilo que nos emociona.

A vida, em todas as suas formas e manifestações, nos leva a fortes emoções.

Espero poder traduzir, em versos e rimas, as expressões da vida com as quais eu tiver contato.



Luzia M.Cardoso
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sábado, 13 de janeiro de 2018

Terra Lavrada



Terra Lavrada


Sol que arde sobre a terra
Poderá rachar o chão.
Se quem lavra os olhos cerra,
Só verá devastidão.

Pois a chuva violenta
Esse chão vai açoitar.
Ventania, truculenta,
Muitos mais vai castigar.

O que será da plantação,
Das flores, de seus produtos,
Se cerrares a visão?

Quem quiser, da primavera,
Seus encantos, seus redutos,
Nesta vida, nesta Era,

Tem que cultivar os frutos.


Luzia M. Cardoso

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

De Minha Lavra


De Minha Lavra 


Quando ando pelas ruas
E vejo gente no chão,
Largada em calçadas nuas,
Invisíveis à multidão...
Quando entro em algum pátio
E vejo tanta produção.
E nas esteiras, mil olhos tristes,
Com o pesadelo de então...
Quando encontro largos tetos,
Sobre longos metros de chão...
E fora, gente ao relento,
Sem direito à habitação...

Eu não sei o que me dá
Quando aquilo me invade.
É uma grossa substância,
De ondulante verbo,
Que me faz soltar o verso,
Da garganta, o adverso.

E eu verso aquela gente
Para mostrar o que passa,
O que quer e o que sente
Quem se larga por lá.
E como longo é o tempo,
Diferente dos de cá.
Lá tem o mais longo segundo.
Segundo lento a se arrastar.
Com vidas ao sabor do vento,
Violento,
Que as lança sem nada pesar.

De pronto, me pega o poema
Pelo verbo no reverso
Do verso de meu avesso.
Sem doçura ou estratagema.
Apontado, entra fundo,
Fica lá dentro, imerso.

Verso o que não se abre em flor,
Que não abraça, nem acalanta.
Verso o grito,
Grito de dor,
À luz do dia a dia que me afronta.

Nas pontas de meus dedos, verso.
Verso pedradas que confrontam
As vidraças das praças,
que se fecham à calçada.
Vidraças que guardam o que contam
Fabricantes de desgraças.

Os meus versos nascem amargos
E eu não os quero adoçar.
Que os sintam os que passam
 ao largo
Dos sem almoço e jantar.

Mais os meus versos afio,
E os afio para mais penetrar.
Que entrem profundo nas almas,
E que incomodem quem só quer fornicar.

Meu poema sai das caldeiras
Em altas temperaturas,
Endurece nas geleiras
Das mais frias criaturas.
Meu poema é dedo em riste
Apontando a transfusão
Do nosso anêmico sangue
Para o nutrido tubarão.

Meu poema é tesoura afiada
Sobre a pele da cegueira.
Fere e rasga a cortina
Daquela seda esfumaçada
Que encobre, cretina,
Quem nos monta com esporas,
Nos confunde e desatina,
E nos sangra as cadeiras.

Luzia M. Cardoso
RJ, 05\01\2018

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

2018 por Inteiro


2018 por Inteiro


Eu quero ver as esquerdas nas ruas,
Megafones e carros de som ecoando 
nas portas de fábricas, empresas,
nas entradas de terminais rodoviários,
ferroviários, metroviários
e nos centros comerciais 
de cada bairro popular!


Eu quero ouvir o grito forte do trabalhador, 
do estudante...
Militante, simpatizante, 
organizado, desagregado 
Sempre atuante...

Eu quero ouvir o coração 
de cada cidadão, de cada cidadã,
bumbando forte o sangue quente
que corre nas veias 
ferventes de verão. 

Eu quero, por ser massa,
o povo fermento
em marcha unificada, 
bairro a bairro, 
gueto a gueto,
tomando as estradas, 
dobrando as esquinas, 
rompendo os becos...
Despachando encruzilhadas!

Eu quero nossas cabeças erguidas,
elevando os nossos à linha do horizonte!

Eu quero nossos pés firmes, no chão,
Em movimento e sempre em frente!

Eu quero as nossas mãos ativas, juntas, 
desentulhando todo esse caminho 
que é nosso!

Eu quero te olhar 
e eu quero que me olhe,
como eu me olho 
e você se olha 
nos espelhos nossos de cada dia!

Eu quero que o meu, 
eu quero que o teu, 
eu quero que o nosso futuro 
seja por nós garantido, 
arrancando-o das vitrines caras e luxuosas... 
Terminais do mercado financeiro!


EU QUERO QUE FAÇAMOS 
QUE O NATAL SEJA REAL!

EU QUERO UM ANO NOVO,

QUE GARANTA QUE A VIDA 
SEJA BENDITA
- ABENÇOANDO O FRUTO -
PARA CADA UM DE NÓS!

EU QUERO, PARA TODOS NÓS,
O 2018 POR INTEIRO!!!


Luzia M. Cardoso

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